quinta-feira, setembro 6

Desenho e Ando.

A vida tem sido uma coisa de ser cheia e vazia em tempos  curtos.
É estranho assim, quando tudo fica por minha conta.
Quando cabe a mim preencher os espaços vazios.
Quando somente eu posso pegar a caneta colorida e desenhar o mundo.
É uma puta responsabilidade.
Desse jeito é, assim fica.
Eu e o papel em branco da minha vida, e sou eu sem criatividade para desenhar, ou sou eu e o medo-criança de que o desenho fique feio, a casa torta, o sol errado, a árvore caída.
É temer não possuir todas as cores que desejo para pintar meu céu e minhas estrelas.
Como faz?

quinta-feira, agosto 23

De mar.

É que eu não sei me mexer nesse mundo da superfície.
Fico olhando, com medo, todas essas coisas estranhas que existem na beira.
Não conheço esse negócio de não dizer aquilo que sente, cobrindo as emoções com capas vazias.
Aí prefiro me aquietar.
Se isso me for exigido, é melhor que meu fundo seja contemplado por mim.
Que eu fique no azul marinho denso, sem vontade alguma de ser decifrada.

Mas eu não queria.

Era bom se claro azul se tornasse. Que todos vomitassem cor clara logo d'uma vez, para que de luz tudo logo vivesse.
É tão melhor andar assim...

quinta-feira, junho 9

Cais.

Como demonstrar minhas fragilidades para um mundo que se mostra tão forte? A saída é sentir o escrever da palavra. Sinto tudo, gosto de sentir - do início ao fim.
Como compartilhar esse turbilhão de letrinhas que se confundem em meu corpo? Prefiro eu conversar com as árvores, o silêncio me entende melhor. Afinal, é de não-som que vive o meu corpo.
A não sonoridade não significa a falta de música, é apenas a liberdade de sentir. Tudo o que me atrai a angústia é a prisão que me concede o alheio e, ainda mais, a incapacidade que sinto de deter esse aperto. Como pode haver vento em uma esfera que tanto me reprime? Se esse vento ao menos carregasse o peso da verdade... Se o sopro anestesiasse o ardor da vida de todo o ser humano...
Mas a jaula é mais pesada e a chama, intensa.
Estou presa em mim mesma. E isso é uma escolha.
Levantar a cabeça e olhar o mundo.

domingo, abril 24

Para que renovar meu mundo eu possa.

Juro que sou de verdade.
Mas como me posso ser constante se sou apenas o desenho da ventania?
Assim é pedir demais.
Nada posso fazer. Não comando a dança dos ares.
Muito menos conheço o destino das formas.
                

terça-feira, janeiro 4

Coração Criança.

Para trazer o fim do amor que ainda vive
E desfazer enfim o sentimento que existe
Tratar de vez o coração
Que persiste em bater
Para de impulso
Me levar
Até você

Largar de vez dessa mania de te respirar
E inalar teu CO2 sem ao menos cogitar
Que esse ar pode trazer
Recordações
Que meu sentir não quer lembrar
Ou se entorpecer

Eu preparo essa canção
Para declarar
Que o amor é imaginação
E que o sentido é criação
E se fora construído pela mente
Por meio dela
Poderá
Se desmentir

E por contradição
Digo a mim
Que nossas pupilas
Fixas estão
E o nosso olhar ignora
Qualquer desvio de sua carícia

Trago ao meu viver
A imprudência mais linda da vida
O paradoxo mais coerente
Sou tão sua
E minha somente

segunda-feira, outubro 11

Eu poesia.

         A poesia que se esconde em meu ser é invisível aos olhos. Ela toda, concreta, sólida, absoluta, não está presente em mim.
         A poesia, dita por si só, mistura-se em meus cabelos, em minhas mãos, em meus pés, em meus olhos, em minha voz.
         Prezo em ser tudo aquilo que faz bem e percorre com serenidade.
         Vivo em tentativa de me tornar somente arte.
         Ser sensível mesmo em momentos de instabilidade.
         Voar. Pássaro em meio ao debater dos ventos.
          Deixar que a vida leve-me, leve como as folhas que se deixam levar.



      

sexta-feira, agosto 20

Diário

Falar dos corpos
Revelar nossos
Delírios de menina
Parece aquilo
Que o alheio
Sempre diz saber
Mas sei que vigora
O nosso amor
Melhora
Nosso sabor
Se torna
O que ninguém jamais sentiu.